TRANSPOSIÇÃO /

2020

Criado durante o período de quarentena, Transposição é uma videoarte produzida a partir de momentos e movimentos repetitivos do cotidiano durante o isolamento em paralelo com acontecimentos do mundo afora. Áreas externas que não foram afetadas ou influenciadas pelo vírus puderam continuar seguindo seu fluxo usual, entretanto, ruas e outras áreas que foram afetadas — por serem criações humanas, existindo para propósitos humanos — começaram, progressivamente, de acordo com as providências adotadas por cada região, a ter significativamente menos movimento do que em relação à anteriormente, em contraste com áreas como o oceano — componente natural do planeta que pode persistir seu curso independente do que acontece no mundo dos humanos, como sempre o fez. 

A partir desse contraponto, o vídeo transita em uma relação micro/macro; micro retratando a rotina de seres isolados e macro, o exterior invisível e esquecido.
Transposição discute o afago pela vida que não nos pertenceu durante o tempo em que se deu o isolamento e a falta de previsão para o retorno do que outrora fora considerado normal, usual e cotidiano; tratando da estática e monótona experiência que é estar confinado. Explora também sentimentos de paranoia e desespero pela normalidade que alguns relataram experimentar como reverberação de toda situação. Devido ao comportamento incontrolável e imprevisível do vírus, qualquer previsão de transposição sobre a necessidade de isolamento se mostrou incerta.

Created during the quarantine period, ”transposed” is a videoart composed from day-to-day repetitive movements that capture the imprisonment feeling of being locked up, in contrast with events from the outside world.
Some external areas that were not impacted by the virus, continued following its own natural path whilst affected areas, such as streets — affected for being creations whose purpose is to attend human’s needs, progressively started, according to different region’s isolation measures, to have significant less motion than it once had, contrasting, for instance, with the ocean — a natural component that continues to flow regardless of what happens to civilization, as it always has. 

From this counterpoint, the video transits through a micro-macro relation; micro being the isolation routine at home daily; macro being the unseen, the forgotten outside world.
“Transposed” discusses the esteem for life, that was taken away from us in the course of isolation, and the non existent return date to what was once considered normal, usual and quotidian; dealing with the monotonous and nondynamic experience that is to be confined, as well as to navigate through paranoia, claimed by some to be a reverberation of the whole situation, manifested with profound despair for normalcy.
Due to the virus uncontrollable behavior, any prediction of transposition on the need for isolation, appeared to be uncertain.